O Espelho

Elas vem no começo do dia ou no começo da noite.
Reviram tudo em mim.
Fazem lágrimas escorrer e gritos saíram de dentro do peito.
O peito que se aperta, se esmaga e despedaça.

Vozes ecoam do fundo da alma.
Gritos, na verdade.
Eles acabam sobressaindo em lágrimas.
Mostram-se em soluços e gemidos.

Meu mundo, de ponta cabeça, tenta achar algum sentido na vida.
Preciso permitir que os monstros apareçam,
que as vozes sejam ouvidas,
que o pedido de ajuda saia.
Ninguém esperava por isso.

Sigo tentando me libertar do que me assombra.
É difícil. É cruel. É doloroso.
Mas necessário.

Olho para o espelho...
O espelho é tão cruel.
É um processo tão constrangedor...
Todas as falhas são expostas ali.
Mesmo que tenha maquiagem e ela dure um, dois dias,
sei que em algum momento ela vai borrar, vai a verdade mostrar e vai sair.

As imperfeições, as marcas, espinhas
Manchas...
Expostas.

Encaro meus maiores medos.
Os desafios.
Minha maior dor.
Precisei voltar onde caí.
Voltar onde a bagunça começou
e recomeçar.
Não ter medo do espelho.
Não ter medo do que eu poderia encontrar.

Já fazia tanto tempo que aquela maquiagem me cobria,
que nem lembrava mais da cor da minha pele...
Não lembrava do desenho dos meus lábios e dos meus olhos.
Não lembrava mais de como era meu sorriso sem os facetes.
Meu sorriso era camada de falsidade com infelicidade.
Escondia a dor e frustração.

Resolvo encarar o espelho com uma respiração profunda.
Chego perto.
Choro e me reconecto.
Há uma luz atrás do espelho.

Ah se eu soubesse que em todo o tempo estavas ali.
A Luz que me deixa feliz, não teria permitido ir.
Não deixaria a escuridão entrar.

Mas se não houvesse escuridão, não daria valor à Luz.
Se não fossem minhas imperfeições, não faria sentido ter um espelho, tudo sempre seria comum.
O choque da realidade é duro, mas extremamente necessário.
Agora ao olhar no espelho, vejo minha vida do lado certo,
ao contrário.






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