Nove Meses - a carta

Nove meses.
Por coincidência - ou não -, o tempo que uma mulher espera ansiosamente para conhecer o filho que está gerando em seu ventre...
Não, não é tudo 'mil maravilhas'.
Ela enjoa, fica indisposta, o corpo muda, pesa, mas há algumas sensações indescritíveis que, mesmo incômodas por um momento, são a prova de que existe vida dentro desta mulher e é dessas sensações que, lá na frente, ela sentirá falta quando o bebê estiver em seus braços.

Nesses nove meses, provei dores que jamais pensei que provaria.
A ausência da voz, do toque, da presença de Quem eu tanto amava.
Mas não era todo o tempo assim... Em certos momentos, eu conseguia percebê-Lo e tudo era magnífico, real e verdadeiro!

Mas precisei desses nove meses...
Em nove meses, foi gerado algo em meu coração, fruto de lágrimas, de dor, mas também de amor:
me senti filha!
Me senti amada demais por Quem eu não merecia ser amada...
Me senti acolhida demais quando eu queria permanecer afastada, ou simplesmente quando não conseguia, mesmo que eu quisesse, corresponder aquele amor.
Me senti abraçada quando estava enjoada e cansada, quando minha alma aflita queria desistir e quando tudo parecia ser 'da boca pra fora'.

Na verdade eu senti tudo isso, mas demorei tanto pra reconhecer que era Ele o tempo todo...
Talvez porque eu já estava tão preocupada com as minhas dores, que eu não sabia de onde vinham, que eu não conseguia vê-Lo.
Estava tudo embaçado.

Ao final do nono mês, saiu, de dentro de mim, um choro.
Ele estava armazenado durante todos aqueles dias... De alegria, de surpresa, de dor.
E ele saiu, em poucos minutos, de forma desesperadora, de uma vez.
Roubou minha fala e falou pelo meu coração.

Gerei, por nove meses, um único desejo que não conseguia identificar: o desejo da presença do Amado da minha alma.
Ao final do nono mês, a presença dEle brotou no meu coração e me fez renascer.
Ao final do nono mês, pude senti-Lo novamente, mais perto.
Ao final do nono mês, tive a certeza que Ele é Amor e nada que eu venha fazer ou deixe de fazer, pode mudar a natureza dEle.
Ele É!
E é o que é!

Agora, no décimo segundo mês, carrego filhos em meus braços...
Sim, filhos!
Filhos que Ele estava gerando em mim nesses nove meses, abraçados pela Sua presença, acolhidos e transformados pelo Seu amor, abraçados por Sua graça.
Se somos os mesmos? Creio que não.
Somos todos filhos!
Somos todos povo escolhido!
Somos frutos da bondade e misericórdia que se renovam todas as manhãs e que nos seguem por toda a eternidade.

Olho para cada filho e dou um sorriso, de gratidão.
Valeu a pena cada lágrima e cada suor...
Fomos gerados pela palavra do Pai e dEle somos, pra sempre!
A presença dEle reina em nós e está nos levando para perto do Pai, para que nos tornemos UM com Ele, nos assemelhando a Ele, assim como é o desejo do Seu coração.
Para mim e para você.


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