Intrigantes Sensações

Sufocadamente angustiante.
A manhã parece noite.
Tristeza penetrante.
Inquietamente presente, atuante.
Do dia pra noite.
Confuso instante.
Tudo ruiu, se perdeu, partiu.

No fundo do olhar, ardor.
Dor.
Desesperança.
Partiu em dois um coração com amor.
Foi-se, para longe, a sensação do calor.
Calor do abraço, calor humano.
Veio, apenas, frio e pousou.

Escrever, falar, cantar
ninguém iria entender.
Recomeçar, não, não era uma boa opção.
Tentar, talvez fosse, mas o consciente dizia que também não.
Apenas reclinar a cabeça no travesseiro e deixá-lo molhar.
Uma boa solução para tanto não.

Se a mão pudesse compenetrar na alma
e arrancar de dentro toda aquela sensação
certamente haveria muitos sorrisos ao invés de intensa solidão.
Se o choro conseguisse limpar o coração e fazê-lo alegre pulsar
e o livrar de todo medo, culpa e do que não se consegue explicar,
certamente, realmente, tudo seria melhor...
E como seria!

Não há solução imediata, talvez haja,
mas o silêncio tem sido casa e o leve sorriso, uma espada.
Ela penetra na tristeza e a despedaça...
Por uns instantes, guarda-se a espada,
a tristeza se reconstrói e rolam as lágrimas.
Não há saída, só ser ouvida...
É preciso paciência... A tendência é julgar antes de a frase terminar,
nem que seja mentalmente...
A tendência é forçar uma reação.
A tendência é dizer que tudo passa...
E se não passar?

Ninguém sabe o que é, até viver.
Até provar.
Até sentir.
Nó na garganta.
Reclusão.
Insatisfação.
Escuridão.

(...)






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