Uma Linda Bagunça

Ao ouvir as frases: "Quem entende a paz e o caos ao mesmo tempo? Ou a vontade de gritar, mas logo vê-la passar", logo me lembrei do meu período em depressão. Isso foi ano passado, entre os meses de abril e junho.

Certo dia, indo almoçar, senti vontade de correr... Correr e gritar.
Não tive essa coragem.
Dias depois, entrando numa loja, o desespero me tomou novamente, e a vontade de gritar veio...
Eu queria correr na loja e gritar, e depois, sentar no cantinho da loja, escondida, pra chorar.

A vontade era passageira.
Imagina só, iam me achar louca!

Mas agora, ouvindo essa música da Priscilla, entendo que essa é uma das sensações que perseguem quem tem que lidar, diariamente, com crises de ansiedade, pânico e depressão.

A paz e o caos ao mesmo tempo.
Era bem isso.

Levantava sem forças, sem sorriso, ficava em pé, virada pra minha cama, e dizia: "Até quando isso vai durar, meu Deus?", mas não como uma murmuração... Era um desabafo. Era um pedido de ajuda.
Ele não respondia, mas Seu silêncio me dizia: "Ei, Meu amor, fica tranquila... Viva esse momento. Sinta toda essa dor, mas não se preocupe, ela vai passar logo... Eu te amo, viu? Não esquece. To aqui, e isso é passageiro...".

Essa paz em meio ao caos... Tão improvável, inexplicável!

A música ainda traz um verso chocante, logo na abertura: "Quem diria que de todos os meus dilemas, o maior seria eu mesmo?".

Quem diria?!
A gente não se entende, nem se conhece:

"Mas não vou julgar nem me crucificar essas risadas misturadas com lágrimas são mesmo difíceis de lidar...".
E como são.

Confesso que sorrir, em meio a tudo aquilo, era um enorme desafio. Eu não conseguia.
Mas a minha alma sorria para Deus quando O percebia.
O rosto derrama as lágrimas da dor, mas o espírito é fortalecido, e as risadas vinham...

"De longe pode até assustar, mas, de perto sou uma linda bagunça a dançar, a dançar...", é bem isso.

De longe, parecia que eu estava 'na pior', mas foi o momento que mais senti Deus, que mais vi Deus!
A bagunça estava sob o controle dEle, e no meio dela, eu dancei... Ele dançou comigo!
Bailamos ao som dos cacos do meu coração que estava despedaçado, mas que Ele foi, com amor, reconstruindo.
Bailamos ao som das minhas lágrimas, que foram misturadas em risadas.
Bailamos ao som da minha alma que clamava por ajuda, ao som dos abraços que ganhei, dos colos que recolheram minhas lágrimas, dos travesseiros que molhei, e das músicas que ouvi.

Dançamos.
A cura chegou!
A dor veio do nada, e do nada, ela se foi.

E quem diria que o maior dilema, era eu mesmo?!

Justo eu, que sempre amei cuidar das pessoas, pela primeira vez, tive que aprender a me permitir ser cuidada, e não esconder meus sentimentos...

Ah, linda bagunça, obrigada!
Você me ensinou muito!
Vamos dançar?!












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